Page 97 - Comunicar na Republica

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Ditadura Militar e Estado Novo – Liberdade adiada
Estes definiram uma arquitetura modernista através
de uma linguagem estética abstrata purista, feita de
jogos de volumes, vitrais com desenhos geométricos
e tubos de ferro cilíndricos que, por volta de 1938, vai
ser substituída por um retorno ao tradicionalismo das
artes plásticas.
O Estado Novo irá apoiar o regresso ao gosto histori-
cista e neo-académico como reação contra o interna-
cionalismo cubista proposto por aqueles arquitectos.
Esta evolução irá manifestar-se no património arqui-
tetónico das comunicações, cuja construção da rede
telegráfica e telefónica abrangeu também um proces-
so de renovação dos edifícios dos CTT em todo o
território nacional.
O processo de modernização e ampliação das comu-
nicações postais, telefónicas e telegráficas (CTT) foi
dinamizado pela Comissão para Elaboração do Plano
Geral das Construções e Redes Telefónicas e Tele-
gráficas, criada em 1934, com o objetivo de levar de-
finitivamente a todo o território as últimas inovações
tecnológicas que vieram permitir a comunicação rá-
pida à distância.
Os serviços de correios, telefones e telégrafos, a par
das estradas, das escolas e dos bancos, beneficiou de
um programa de modernização, atenta a importância
dos seus serviços para assegurar as comunicações
em todo o território da nação incluindo as colónias,
contribuindo para a consolidação da política imperia-
lista.
As manifestações artísticas ligadas ao património das
comunicações são bem representativas do panorama
das artes plásticas e da arquitetura em Portugal du-
rante o período em análise: a produção é rica e di-
versificada não obstante as limitações impostas pelo
regime.
Tomámos como coordenadas nesta apresentação os
momentos mais emblemáticos dessa criação artísti-
ca, com os inerentes conteúdos políticos e ideológi-
cos.
Em primeiro lugar, chama-se a atenção para que atra-
vés da análise da produção de emissões filatélicas
podemos avaliar a dicotomia naturalismo/moder-
nismo presente ao nível das artes plásticas durante a
primeira metade do século XX em Portugal.
E, em segundo lugar, ao nivel arquitetónico, é reve-
lador sobre o panorama da arquitetura nacional a
análise da obra assinada por Adelino Nunes, para a
Administração-geral dos Correios entre 1930 e 1940.
Arquitetura de Adelino Nunes para
os Correios entre 1930 e 1940
A década de 1930 foi marcada, ao nível da política de
obras públicas, pelo regime ditatorial de Salazar ten-
dente à modernização de serviços do Estado.
Para este programa sistemático contribuiu o ministro
Duarte Pacheco e uma geração de arquitetos.
As artes plásticas e a arquitetura
em Portugal no Estado Novo
Cristina Weber
Ao lado: O transporte de correio marítimo (pormenor), Maria Keil, 1942 (arquivo iconográfico da FPC).
FPC