Page 71 - Comunicar na Republica

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I República – Liberdade em ação
A TSF, como sistema moderno e promissor de co-
municações, tem a atenção dos governos que desen-
volvem contactos e promovem estudos que levam
à assinatura de acordos com a Marconi`s Wireless
Telegraph Company Limited e o próprio Guglielmo
Marconi.
Porém, o contexto de instabilidade social e governa-
mental acaba por não ser muito favorável e os estu-
dos e acordos arrastam-se no tempo, acabando por
ser implementados pela Ditadura Militar, em 1926,
com as alterações que, na altura, se impõem.
Em relação à telefonia, Lisboa e Porto tinham as suas
redes conectadas entre si, desde 1904. Nas restantes lo-
calidades do País, comunicava-se à distância, pelo cor-
reio e pelo telégrafo elétrico tradicional, isto é, por fio.
Telegrafia e terminais telegráficos
O telégrafo portátil de código Morse
Herrmann – Lisboa
Construído e inovado por Maximiliano Augusto Herr-
mann, natural e residente em Lisboa. As várias inova-
ções deste aparelho foram patenteadas pelo autor na
2.ª Secção de Propriedade Industrial – Repartição da
Indústria – Ministério das Obras Públicas Comércio e
Notas de contexto
Quando foi implantada a República, a 5 de outubro
de 1910, Portugal contava com uma extensa rede te-
legráfica funcionando em código Morse, coadjuvada
por alguns telégrafos Steljes e Hughes.
Em termos tecnológicos assiste-se, na Europa e Es-
tados Unidos, à introdução de novidades, tais como:
transportes elétricos, pontes metálicas, automóveis e
o início das linhas de metropolitano. Simultaneamen-
te, os barcos a vapor e a aviação dão os primeiros
passos, o telefone de coluna e a baquelite, de tão esté-
ticos fazem-se moda a introduzir. O fonógrafo come-
ça a época das mensagens e das músicas gravadas e,
em seguida, surgem os gramofones e as grafonolas.
Nos finais da década de 10, a telefonia apresenta no-
vos modelos e materiais e a radiotelegrafia dá sinais
de credibilidade enquanto sistema alternativo às re-
des de cabos.
As redes de telegrafia elétrica são coadjuvadas e/ou
complementadas a nível militar, pelas redes de tele-
grafia óptica e pombais. A I República mantém e pro-
cura desenvolver estas redes. Na Casa Pia de Lisboa
e nos CTT, surgem projetos de inovações nos telégra-
fos Hughes e Baudot. Estas inovações são divulgadas
e aplicadas na Europa.
Da história das telecomunicações
na I República
Alfredo Anciães
FPC