Page 45 - Comunicar na Republica

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I República – Liberdade em ação
a
Seara Nova
, revista de doutrina e crítica, com fins
não só literários e pedagógicos mas também políti-
cos e sociais. Coadjuvantes da sua fundação são Raul
Brandão, Aquilino Ribeiro e Câmara Reis.
No primeiro número da revista
Seara Nova
(15 de ou-
tubro de 1921), é referido que os seus colaboradores
são «poetas militantes, críticos militantes, economis-
tas e pedagogos militantes».
Estava encetado o caminho, onde a arte literária, a
realidade social e económica entrariam em triangula-
ção, seriam linhas cartesianas e vetores, paradigma-
ticamente, convergentes e divergentes, triangulação
em cujo vórtice redemoinhava o neo-realismo.
Colaboraram na
Seara Nova
conhecidos vultos da
literatura portuguesa: Teixeira Gomes, Hernâni Ci-
dade, Joaquim de Carvalho, João de Barros, Afonso
Duarte, Irene Lisboa, José Rodrigues Miguéis, José
Gomes Ferreira, Casais Monteiro, Jorge de Sena, etc.
No Porto, «A Brasileira» e o café «Âncora de Ouro»
também eram locais de tertúlias que prospetivavam
Portugal e o seu sonho (in)visível de ator construtor
do dever e do devir.
Com a publicação da
Confissão de Lúcio
, 1913,
Disper-
são
, 1914, e
Céu em Fogo
, 1915, Mário de Sá-Carneiro
revela-se como o expoente máximo do modernismo.
Com
K4 Quadrado Azul
,
A Invenção do Dia Claro
e
Ulti-
matum Futurista
, Almada Negreiros reiterou o choque
provocado, em 1915, pela revista
Orpheu
.
Os meios intelectuais do País ficaram agitados. Por-
tugal não estava preparado para a complexa e ad-
mirável vida anunciada pelo futurismo. Contudo, o
saudosismo, expresso pela «Renascença Portugue-
sa», repugnava aos literatos portugueses e Jaime
Cortesão, Raul Proença, Augusto Casimiro e Antó-
nio Sérgio acabariam por entrar em desacordo com o
passadismo utópico de Teixeira de Pascoais criando
FPC