Page 123 - Comunicar na Republica

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Ditadura Militar e Estado Novo – Liberdade adiada
O Estado foi colocando sob o seu controlo e proprie-
dade os meios de comunicação. Assim, em 1935 foi
inaugurada a rádio pública (Emissora Nacional), que
agora celebra 76 anos de atividade regular.
Em 1936, foi criado o Instituto Superior Técnico que
viria a lecionar matérias atinentes às telecomunica-
ções, algumas das quais faziam parte do ex-Instituto
Industrial de Lisboa, com sede no local onde atual-
mente se situa a Fundação Portuguesa das Comuni-
cações e o Museu.
A partir de 1937, os CTT – Correios Telégrafos e Te-
lefones iniciaram a construção de vários edifícios de
correios e telecomunicações por todo o País. O ser-
viço telefónico via radioelétrica para a Europa (Paris,
Londres e Berlim) teve início em 1937, altura em que
a transmissão via radiotelefónica foi pensada para
contornar os impedimentos em Espanha, a braços
com uma guerra civil.
Desde o início, o Estado Novo procurou, a par da re-
organização das finanças públicas, o desenvolvimen-
to das infraestruturas. Se a introdução da televisão foi
algo tardia (1957), já as restantes telecomunicações,
nomeadamente a rádio, sobretudo a telegrafia sem
fios, a radiotelefonia e a radiodifusão foram introduzi-
das e desenvolvidas em tempo oportuno.
A década de 40 começou com a grande Exposição
do Mundo Português, onde o pavilhão das comuni-
Notas de contexto
As situações de instabilidade política, social e econó-
mica, o contexto internacional motivado pela grande
depressão de 1929, bem como os confrontos ideoló-
gicos que levaram à guerra civil espanhola contribu-
íram, direta ou indiretamente, para a implantação do
Estado Novo.
O governo da Ditadura Militar procurou dar cabi-
mento aos compromissos assumidos pela I Repú-
blica, apoiando e implementando os acordos com a
Companhia Portuguesa Rádio Marconi e levando à
prática as ligações telefónicas entre Lisboa e Madrid
e iniciando a automatização.
Tanto a I República quanto a Ditadura Nacional, pós
28 de Maio de 1926, procuraram apoio nas relações
internacionais. Nesta ótica surgiram os acordos que
levaram à criação da Companhia Portuguesa Rádio
Marconi, em 1925, para comunicação com o mundo,
através da telegrafia sem fios, bem como as ligações
telefónicas, que começaram entre Lisboa e Madrid,
em 1928.
A II República apoiou o desenvolvimento das inova-
ções nos telégrafos Hughes e Baudot, criando condi-
ções no sentido de ampliar, remodelar e criar redes
telegráficas por fio, TSF, telefónica, radiodifusão e
radiotelevisão.
Da história das telecomunicações
no Estado Novo (1926-1974)
Alfredo Anciães
Ao lado: Cartaz publicitário (arquivo iconográfico da FPC).
FPC