Page 105 - Comunicar na Republica

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Ditadura Militar e Estado Novo – Liberdade adiada
mais depurado que a emissão comemorativa referida
anteriormente
(imagem 2)
.
2) As emissões com a efígie do presidente da Repú-
blica Marechal Carmona, de 1934 e de 1945, feitos a
partir de um retrato, e a comemorativa do Centenário
do Nascimento do Marechal Carmona, com desenho
dos Serviços Artísticos dos CTT, a partir do busto do
escultor Leopoldo de Almeida.
3) O selo comemorativo do Cinquentenário do Regi-
me Republicano, de 1960, com desenho de Manuel
Rodrigues representando a bandeira nacional circun-
dada por dois ramos de louros.
Apesar de não terem tido encomendas em número
comparável com os artistas anteriores não podemos
deixar de nomear artistas com destacadas obras de
vanguarda nas artes plásticas nacionais que deixa-
ram a sua marca na filatelia portuguesa como é o
caso de:
1) Maria Keil do Amaral que assinou três emissões
como o referido selo sobre os Descobrimentos, do
Duplo Centenário da Fundação e Restauração de
Portugal, datada de 1940; a emissão comemorativa
do X Congresso Internacional de Pediatria de 1962; e
a emissão comemorativa do 30.º Aniversário da Obra
das Mães pela Educação Nacional, de 1968. Este ar-
tista contribuiu ainda para o património do operador
de serviços postais com a realização de uma série de
pinturas a óleo sobre os transportes dos correios (ver
páginas 50, 96 e 150).
2) Fred Kradolfer, artista suíço que assinou a emissão
«Europa» de 1962.
3) Júlio Resende, que desenhou o selo da emissão co-
memorativa do 50.° Aniversário da Guarda Nacional
Republicana em 1962.
4) Guilherme Camarinha, que desenhou a emissão
comemorativa da XVIII Conferência Internacional do
Escutismo, com desenho, em 1962.
5) Artur Bual desenhou a emissão comemorativa da
dupla vitória do Sport Lisboa e Benfica na Taça dos
Clubes Campeões Europeus, em 1963.
Tal como se verificou nas estações de correios que
evoluiram de projetos mais vanguardistas para solu-
ções mais tradicionais, assim também a intervenção
da DGEM, a partir desta década, teve o propósito
de evitar os estrangeirismos, as teorias geométricas
consideradas frias e inócuas e favorecer os estilos na-
cionais.
As cidades e localidades regionais eram repositórios
estilísticos e etnográficos onde podiam ser recolhidos
os exemplos da arquitetura tradicional portuguesa de
que o manuelino era um exemplo erudito.
O programa de restauros de monumentos pautava-se
pelos mesmos princípios que dominavam a política de
espírito em que as artes, as letras e as ciências eram
ferramentas ao serviço da doutrinação da sociedade
civil. A institucionalização da «portugalidade» con-
sistiu num processo aplicado aos vários domínios da
educação e da formação da sociedade rejeitando o in-
ternacionalismo das formas e defendendo o decora-
tivismo naturalista. Neste contexto importa destacar
as emissões filatélicas comemorativas:
1) Da Exposição de Obras Públicas e dos Congressos
Nacionais de Engenharia e Arquitetura, de 1948, com
desenho de Cottinelli Telmo.
2) A do Centenário do Ministério das Obras Públicas,
de 1952, com desenhos de Veloso Reis Camelo, que
representa a Ponte Marechal Carmona, o Estádio 28
de Maio em Braga, a Cidade Universitária de Lisboa
e a Barragem Salazar.
Em termos comparativos, o Estado Novo não inves-
tiu na valorização dos símbolos da República tão for-
temente como nos «grandes valores da nação» aci-
ma referidos. Podemos, contudo, distinguir algumas
emissões filatélicas comemorativas do ideal republi-
cano. Foram:
1) O selo «Lusíadas», lançado em 1931, com o propó-
sito de substituir os selos tipo «Ceres», foi escolhido
através de concurso aberto em 1926, para o desenho
de um novo selo-base desenhado por Pedro Guedes
numa alegoria à República, personagem feminina que
segura
Os Lusíadas
, e apresenta um estilo naturalista
FPC