Página 4 - Códice nº7, ano 2010

Estela Viegas
|
Comunicação Executiva - IBM Europa
/
Gonçalo Nunes Rodrigues
|
Docente do Ensino Universitário
O planeta inteligente
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não dizendo respeito só a ineficiências das TIC, mas das organizações
em geral. Ou seja, cidades congestionadas e pouco seguras, fraudes
no sistema de saúde, falhas na rede eléctrica, rios poluídos, fraca
sustentabilidade dos processos produtivos, etc.
Estatomadadeconsciênciaperfilanovasexpectativas comenfoquena
produtividade,mudançaestrutural, sustentabilidadeecrescimento. Se
por um lado, atentos a estas novas expectativas, por outro, os líderes
estão tambémempenhados emtirar partidodos avanços da indústria
das TIC para executar novas estratégias. No fundo, é olharmos para
a actividade das tecnológicas, incluindo o que o desenvolvimento,
investigação e inovação representam, na criação de um futuro mais
instrumentalizado, interconectadoeobjectivamentemais inteligente.
Em sintonia com tudo isto, têm vindo a ser anunciadas recentemente
iniciativas dediversa índoleque têmas«cidades digitais»comoponto
de partida para um projecto comum de democratização tecnológica,
onde por exemplo se destaca um programa
sui generis
,
em que a IBM
premiará cemmunicípios de todo o mundo com 50 milhões de dólares
emtecnologiaeconsultoria, comvistaacontribuir paraumcrescimento
bem sucedido, melhores serviços e maior envolvimento dos cidadãos
emáreas comoaadministraçãopública, saúde, educação, segurança,
transportes, energia e comunicações.
Outro exemplo ainda, caro a todos os que vivem submersos na cor-
reria diária das urbes, é o sistema de gestão de tráfego: começamos
por instrumentalizar as estradas, os semáforos e as câmaras com o
objectivo de recolher toda esta informação em tempo real, resultan-
do uma interconexão de processos, sistemas e dados em histórico,
que evidenciam padrões de fluxo. Estes dados são posteriormente
trabalhados numa análise concreta dos sistemas, permitindo aferir
a informação necessária para se adaptarem esses fluxos à crescente
utilização das infra-estruturas. Damesma forma, os dados recolhidos
O
transístor foi o componenteelectrónicoprimordial daeradigital,
construída a partir da década de 50 do século XX. Imaginemos,
agora, um mundo onde a evolução galopante nos faz chegar ao
número de mil milhões de transístores por ser humano. Um mundo
onde mais de quatro mil milhões de utilizadores de telefonia móvel
se liga continuamente numa rede de comunicações semprecedentes.
Um mundo que gera diariamente 25 biliões de mensagens informa-
tivas sobre transacções comerciais nos diversos mercados à escala
global.
Porque tudo isto é complexo, resolvemos acrescentar ainda mais um
nível, o da interconectividade colaborativa. Alguns números falam
por si e actuam como verdadeiros alertas: não faltará muito para
chegarmos aos dois mil milhões de pessoas com acesso à internet,
produzindo diariamente cinco petabytes de nova informação e mais
de 19 horas de pesquisa semanal, onde 500 milhões de utilizadores
interagem na maior rede social da actualidade, o equivalente a 7%
da população mundial.
Se pararmos ummomento para pensar no que potenciou esta explo-
sãopor detrás dos números, é fácil: aproliferaçãoda tecnologia e das
comunicações está a gerar esta interconexãomassiva e significativa-
mente complexa, onde sistemas e objectos comunicamentre si numa
evolução exponencial.
Pensemosnaperspectivade ter umtriliãodecoisas instrumentalizadas
e conectadas, ligando o mundo físico ao mundo virtual, e no volume
de informação produzida pela interacção de tudo isto. Uma realidade
sem igual. E por último, pensemos nesta nova «internet das coisas»
como um«novo normal».
Neste cenário, os sistemas que governam comunidades, mercados,
empresas e pessoas não podem mais ser geridos de forma isolada
quando os custos das suas ineficiências são altos e exigem solução;