Página 3 - Códice nº7, ano 2010

A
ssinalamos nesta edição da Códice o seu último número. Encer-
ra-se assim um ciclo que começou há uma série de anos, que
teve diferentes formatos e conteúdos editoriais, que mereceu
alguns prémios de que muito nos orgulhamos, e que proporcionou,
esperamos, agradáveis leituras e transmissão de conhecimentos
sobre o sector, sobre o acervo da Fundação, e sobre a forma como
as Comunicações foram moldadas e moldaram a evolução das
sociedades e do mundo.
ACódice foi um importante veículo de comunicação compúblicos com
interessesmuitodiversos. Trabalhadores do sector, estudiosos do sec-
tor, professores à procura de matérias interessantes para ajudarem
os seus alunos a crescer, numa perspectiva de formação integral do
indivíduo, ou artistas à procura de novos temas e novas linguagens,
foram alguns dos leitores assíduos da revista.
Não é fácil conciliar tantos interesses diferenciados. Contudo, pelo
número de cartas e de testemunhos que recebemos, podemos dizer
com convicção que atingimos genericamente os nossos objectivos, e
nalguns casos (e nalgumas edições) até os ultrapassámos.
Omundo é feitodemudanças. Vivemos numsector impulsionadopela
mudança e também gerador de mudança nos hábitos e nas interac-
ções sociais e profissionais. Por isso, convictamente, assumimos que
está na hora de descontinuarmos esta revista. Teve uma vida longa
e frutuosa, ganhou leitores e amigos, e pode ser até que deixe sau-
dades nalguns dos seus indefectíveis públicos ou, porque não dizê-lo,
também nalguns dos seus colaboradores. Sobre o futuro, cumpre
não levantar aqui o véu. Mas deixamos-vos, neste número, de entre
um conjunto de artigos de primeiríssima água, duas peças que têm
um particular significado no contexto do último contacto da Códice
com os seus públicos.
O primeiro artigo que quero destacar respresenta uma antecipação
técnica de como as Comunicações vão ser num amanhã que come-
çou já há algum tempo. Estela Viegas e Gonçalo Nunes Rodrigues
apresentam-nos o planeta inteligente onde os nossos filhos já hoje
habitam. O segundo artigo, assinado por João Confraria e Luís Olivei-
ra, debruça-se sobre a temática da prestação de serviço universal, e
de como este conceito entronca no futuro de um sector liberalizado
e sujeito à concorrência.
A reflexão do segundo e a antevisão do primeiro representammuito
do que entendemos que é a vocação da Fundação Portuguesa das
Comunicações. Partilhar conhecimento de forma viva e interactiva,
usar o passado do sector como uma base de partida para o que serão
as Comunicações nas sociedades do amanhã.
Despeço-me dos leitores da Códice, nesta edição, com a certeza de
que, independentemente do veículo, sempre nos encontraremos em
interesses comuns, conhecimento partilhado e curiosidade pelo que
o futuro nos trará. Até sempre, até breve.
editorial
José Luís C. Almeida Mota
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Presidente do Conselho de Administração da Fundação Portuguesa das Comunicações