Página 54 - Códice nº7, ano 2010

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Do museu ao bairro, histórias
de viajantes
Cristina Weber
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Directora do Museu das Comunicações
A tradição dos museus de história e técnica
e as novas tecnologias
OMuseu da Fundação Portuguesa das Comunicações prossegue com
a tradição do seu «antepassado» Museu dos CTT, apresentando
ao público um espaço de divulgação da história das Comunicações,
através da exibição dos objectos e documentos que fizeram parte do
quotidiano das primeiras entidades operadoras de comunicações em
Portugal, nomeadamente, AdministraçãoGeral dosCorreios eTelégra-
fos, ICP, ANACOM e as empresas CTT, APT, CPRM, TLP, TDT, TMN e PT.
Mas, o Museu das Comunicações apresenta duas diferenças subs-
tanciais relativamente àquela instituição: por um lado, por efeito das
alterações estatutárias das empresas do sector de comunicações,
constituiu-se, comumobjectomais lato, nummuseu de fundação, e,
por outro lado, por efeitodatransformaçãodoconceitodepatrimónio,
entretanto assimilada pelos normativos nacionais e internacionais,
viu alargada a sua missão.
Hoje omuseu tem comomissão não só guardar, conservar, investigar
e divulgar o património histórico, mas também apresentar as novas
tecnologias do sector. Para tal tem vindo a desenvolver diferentes
projectos expositivos dedicados a essa matéria: a Casa do Futuro, a
Escola do Futuro e a FPC Future Labs-Experiências Visuais do Futuro,
actualmente designada FPC-Future Labs 2.0
Estas exposições representaram uma viragem na tradicional forma
de apresentação da história das comunicações, ao exporem as mais
modernas tecnologias das comunicações no espaço do museu.
Estesprojectos resultaramdeumaestreitacolaboraçãoentreaFunda-
çãoPortuguesadasComunicações ediferentesparceiros, cujoaspecto
importante é a convergência de interesses na promoção das novas
tecnologias, nãonuma lógicade concorrênciamas simde complemen-
taridade de soluções. As exposições dedicadas às novas tecnologias,
integradas nummuseu de tradição clássica, são explicadas pelo facto
da Fundação Portuguesa das Comunicações, em que se integra o
Museu das Comunicações, ser constituída, por um lado, por empresas
emactividade no domínio da prestação de serviços de comunicações,
num sector liberalizado e em regime de livre concorrência, e por outro
lado, pela instituição nacional responsável pela tutela do sector.
A necessidade de os operadores de comunicações corresponderem à
procura dos consumidores impôs um ritmo e uma responsabilidade de
adesão às soluções tecnologicamente mais vanguardistas, sob pena
de perderem o mercado.
A modificação do conceito de museu
e o alargamento da sua missão
OprofessorMárioMoutinho
1
,
docentedoDoutoramento emMuseolo-
gia e reitor dadauniversidade Lusófona, ensinaque omuseudistante
e elitista deu lugar ao museu consciente da relação orgânica com o
seu contexto cultural.
A professora Judite Primo
2
,
também da Universidade Lusófona,
contribui para o entendimento desta mutação quando afirma que
«...
Ametodologia da educação patrimonial, baseada no diálogo, na
indagação activa e na experimentação, visa facilitar a aprendizagem
mútua que se desencadeia por meio das memórias e experiências
compartilhadas, da herança patrimonial e do próprio património
colectivo, facilitando a relação do indivíduo como grupo e comomeio
ambiente...para o museólogo responsável pela acção educativa e
cultural dos museus, o exercício profissional ... passa pela preocu-
pação social de suas propostas, pela busca de um diálogo cada vez
maior com diversos sectores da sociedade, pela actualidade de suas
acções, e pelo aprimoramento e reflexão contínuos de suas activi-
dades educativas...»
Aguadeiros do chafariz da Esperança, 1907, Joshua Benoliel, Arquivo Municipal de Lisboa/Núcleo Fotográfico.