Página 30 - Códice nº7, ano 2010

Diploma do Instituto Industrial e Comercial de Lisboa, autenticado com selo branco, atribuído a Humberto Júlio da Cunha Serrão, eminente
funcionário dos Correios e Telégrafos, responsável pelo Serviço Postal de Campanha do Corpo Expedicionário Português, durante a Grande Guerra.
O diploma enumera o conjunto de disciplinas obrogatórias de acordo com o Regulamento daquele Instituto de 9 de Julho de 1903. Arquivo histórico da FPC.
30
de Correios, Telégrafos e Faróis, na dependência da Direcção-
-
Geral. Com a reforma dos Institutos Industriais promovida pelo
ministro das Obras Públicas, Comércio e Indústria, Emídio Navarro,
o Curso de Telégrafos passa a ser leccionado nos Institutos Indus-
triais de Lisboa e Porto até 1891, sob os auspícios de Benjamim
Cabral, eminente professor daquela Escola em Lisboa.
Data de 1892 o decreto regulamentar das Escolas Elementares de
Telegrafia, existentes junto das Centrais de Lisboa e Porto, ficando
reservado ao ensino avançado do funcionamento dos aparelhos
e sua construção o Curso de Física Industrial, em paralelo com
o Curso Técnico de Telégrafos, ambos a funcionar no Instituto
Comercial e Industrial de Lisboa, sob a supervisão do mesmo Ben-
jamim Cabral que os concebeu, que só será afastado na sequência
do 5 de Outubro. As suas instalações situavam-se no antigo Paço
da Madeira, na Rua da Boavista números 79 a 83, curiosamente
ou não, muito perto da sede da Fundação, que se localiza na Rua
do Instituto Industrial. Naquele local viria a instalar-se o Instituto
Superior Técnico, criado pelas reformas republicanas de 1911, sob
inspiração da distinta figura de Alfredo Bensaúde.
A instrução profissional e técnica para serviço dos correios, telé-
grafos e telefones conheceu, aliás, com a legislação do período
republicano, uma consolidação e enriquecimento notáveis.
No contexto do decreto com força de lei de 24 de Maio de 1911 que
determinou a autonomia administrativa e financeira da Adminis-
tração-Geral dos Correios e Telégrafos, sob a tutela directa do
ministro do Fomento, Brito Camacho, foi reformulado o ensino
profissional cuja criação datava da reforma orgânica dos serviços
de 1892 e cujo principal mentor tinha sido Paulo Benjamim Cabral.
A organização dos serviços de correios e telégrafos de 1901 já
tinha aprofundado esta vertente técnico-profissional e, em 1911,
A
formação profissional do pessoal dos correios foi sempre uma
exigência no contexto desta actividade. Se a educação for-
mal era condição
sine qua non
para a entrada no exercício desta
profissão desde o princípio do século XIX, como o testemunham
inúmeros documentos existentes no Arquivo Histórico da Fun-
dação Portuguesa das Comunicações, esta necessidade veio a
agudizar-se com a introdução do telégrafo eléctrico em 1855 e com
as reformas fontistas que visavam o
aggiornamento
da sociedade
portuguesa, aos mais diversos níveis, com particular ênfase nas
infra-estruturas técnicas das comunicações – estradas, caminhos-
-
de-ferro, telégrafo.
Iremos procurar traçar, em breves notas, a evolução da prepara-
ção técnico-cultural dos funcionários desde a sua institucionali-
zação até ao fim de período republicano e suas repercussões no
período inicial da Ditadura Militar/Estado Novo.
Se os primórdios da introdução do telégrafo eléctrico, aberto ao
serviço público em 1857, constituiu um sucesso, conhecendo uma
extraordinária expansão durante as décadas que se lhe seguiram,
já as condições técnicas de fornecimento do serviço eram, por
vezes, deploráveis, pelo mau estado do equipamento e, sobre-
tudo, pela falta de preparação do pessoal.
José Vitorino Damásio, nomeado em 1864 como director-geral
interino dos Telégrafos do Reino, vem denunciar esta situação
e propor medidas de exigência nas habilitações de entrada na
profissão, nomeadamente o domínio de línguas estrangeiras e
de ciências físico-matemáticas, além de reconhecida aptidão na
prática da telegrafia.
Mas o verdadeiro salto qualitativo dá-se, na sequência da fusão
dos serviços de correios e telégrafos (1880), com o contributo deci-
sivo de Paulo Benjamim Cabral para a criação de um Curso Prático
A Escola de Correios
e Telégrafos: apontamentos
Isabel Varão
|
Licenciada em História (UL), Pós-Graduada em Ciências Documentais (UL)