Página 84 - Códice nº5, ano 2008

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se ficou a dever, aliás, a introdução do ensino da electrotecnia em
Portugal, foi reunindo vasta bibliografia sobre telegrafia, engenha-
ria electrotécnica, telefonia e tracção eléctrica, bem como revistas
da especialidade.
NanovaOrganização dos Correios,Telégrafos,Telefones e Fiscalização
das Indústrias Eléctricas de 1911, a Biblioteca reaparece em anexo ao
entretanto criado Laboratório Electrotécnico, e nela é incorporada a
bibliografia de Paulo Benjamim Cabral, além de se tornar obrigatória
a recolha de regulamentos,instruções e demais legislação. É,pela pri-
meira vez, nomeado umbibliotecário, João Gualberto do Nascimento
Pires,substituído no ano seguinte por JoaquimChagas,que empreen-
de um esforço de sistematização da colecção, sendo publicado o pri-
meiro catálogo onomástico das 3500 obras já então existentes.
A Biblioteca, até então instalada no Terreiro do Paço, junto do gabi-
nete do inspector-geral acompanha, emmeados de 1912,amudança
dos restantes serviços centrais para a Rua de S. José, 20, sendo colo-
cada, numa primeira fase, nas antigas cozinha e copa do Palácio
Sousa Leal,eposteriormente remetidaparaaantiga cavalariçadopalá-
cio.
No entretanto,em 1920,o Decreto 6822 de 10 de Agosto aprova o pri-
meiro Regulamento da Biblioteca, elaborado por uma comissão che-
fiada por Manuel Pinto deMelo,comcontributo determinante de Joa-
quim Chagas e Godofredo Ferreira, então 3
o
oficial dos Correios.
Os anos trinta do século XX e inícios da década seguinte foram mar-
cados por um certo apagamento, situação que veio a ser alterada a
partir de 1945, com o contributo de Amália Duarte dos Santos Ferrei-
ra.Trata-se da filha de Godofredo Ferreira,ele próprio bibliotecário de
formação,cujos contributos directos ou indirectos originarama cons-
tituiçãode um importante património cultural,base dos actuais Arqui-
vo Histórico e Biblioteca da Fundação. Amália Ferreira conseguiu a
O princípio...
O
Relatório do Anno Económico 1877-1878
da autoria do Dr. Guilhermi-
no Augusto de Barros declara, a dado passo
1
,
que se criou umMuseu
Postal, dotando-o com trinta objectos e que a Biblioteca foi enrique-
cida com quatrocentos volumes.
É este omomento fundador que assinala o início da existência destas
duas instituições, tão profundamente ligadas, associando-as ao
desenvolvimento dos serviços postais que, por esta época, conhece-
ram um período particularmente inovador.
Já em 1877, o ministro das Obras Públicas, João Gualberto de Barros e
Cunha,que tutelava os Correios e Postas do Reino,dava instruções no
sentidode se envidaremesforços paraa sua criação.E assimse fez,com
o concurso abnegado do conceituado editor David Augusto Corazzi,
que era simultaneamente oficial da Administração do Correio de Lis-
boa. Este editor ofereceu os primeiros vinte e nove exemplares da
Biblioteca Postal,conjunto formado por obras de JúlioVerne eMayne-
Reid. Embora não se enquadrasse nos objectivos de apoio técnico-
profissional que estiveram na base da criação da Biblioteca, o seu
contributo foi aceite pelo Dr. Guilhermino de Barros que lhe enco-
menda a edição do «Repositório Mensal de documentos da Direcção
Geral deCorreios»,instrumentoque se tornou fundamental paraauni-
formização da prestação de serviço postal e cujo primeiro número sai
logo em Janeiro de 1879.
Sabemos queapós este entusiasmo inicial eaunificaçãoentreCorreios
e Telégrafos promovida pela Reforma de 1880, que coloca a guarda e
arrumação daBiblioteca soba responsabilidade da 1
a
Secção da Secre-
taria da Direcção-Geral dos Correios, Telégrafos e Faróis, se faz silên-
cio sobre a sua existência.
Entretanto, Paulo Benjamim Cabral, inspector-geral dos Telégrafos
entre 1888 e 1910, eminente professor do Instituto Industrial a quem
A Biblioteca da Fundação
Portuguesa das Comunicações:
uma questão de património
Isabel Varão
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Licenciada em História (UL), Pós-Graduada em Ciências Documentais (UL)
A Biblioteca da Fundação Portuguesa das Comunicações: instalação inicial no 1º andar.