Página 48 - Códice nº3, ano 2006

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Maria João Fernandes
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Crítica de Arte, Poeta
À procura do amor perdido:
cartas de amor de
desconhecidos, a sua magia
Phoebe, Madeleine Lemaire, 1896
Canção do Claro Mistério
Ninguém sentirá bem este mistério
Humano da paixão...
Embora eu abra à luz o meu segredo,
Só eu o entenderei - meu sonho ledo
e sem fim, a florir no campo etéreo,
Rosal do coração.
Minha alma iniciada na verdade
Do amor eterno e forte,
Podes cantar, agora, a canção verdadeira
Do humano amor, a arder na vida inteira,
E das almas voando à eternidade,
Vencendo vida e morte.
Podes cantar, fremente de alegria,
Esta humana vitória,
Enquanto choram, de renúncia, os tristes
Que não souberam ver-te aonde existes,
Fonte de luta imensa e de energia,
Luz de sangue e de glória.
Canta sem véus. - Não é que um vulgo espesso
E os sectários cruéis
Do sepulcro de pedra, não esmagassem
Tua vida e teu sonho, se acordassem...
Deves cantar, porém. É o começo
Da manhã dos fiéis.
Canta, Deves cantar o teu encanto,
Livre de medos vãos...
Deves cantar, semmedo, o ardor bendito
Das almas combatentes no Infinito!...
-
E aqueles que entenderem o teu canto
Aceita-os como irmãos!
Poemas Líricos de João de Castro Osório
O Cancioneiro Sentimental.