
No Dia Mundial das Telecomunicações e da Sociedade de Informação, organizámos na fundação uma mesa-redonda para debater o tema proposto pela União Internacional das Telecomunicações (UIT) “Linhas de vida digitais: fortalecendo a resiliência num mundo conectado”.
Num mundo em que a conectividade deixou de ser apenas um serviço para se tornar o ecossistema que suporta a maioria das infraestruturas das sociedades industrializadas, a resiliência das redes é crítica.
Para Rui Franco, diretor na REN Telecom, é necessário tornar visível a importância das redes terrestres que são muitas vezes dadas por garantidas, quando na realidade também estão sujeitas à pressão dos novos desafios desencadeados pelas alterações climáticas e pela nova economia, em rápida mutação com a massificação da inteligência artificial que exige redes mais rápidas, mais seguras e sempre disponíveis.
No ecossistema das redes troncais é fundamental também ter em consideração o abastecimento de energia e a conectividade terrestre que está a ser posta à prova com o aumento do número de data centers.
Na MEO, Jorge Andrade Santos, Head of International Wholesale, adianta que a empresa opera em todos os setores: redes, cabos submarinos, satélites e data center e tem por isso uma visão altamente especializada de todo o ecossistema. Considera que é necessário construir uma malha de cabos submarinos que se vão conseguindo apoiar de forma complementar contra possíveis ameaças. Vivemos por isso um tempo em que o futuro das comunicações globais está dependente de soluções construídas por multioperadores e multi investidores., sendo Portugal um hub de amarração estratégico.
No Instituto de Telecomunicações, o Professor Rui Rocha tem vindo a trabalhar em novos modelos de satélites, pensados para trabalhar de forma integrada com todo o ecossistema de telecomunicações. Também nos satélites é vital trabalhar em complementaridade e não em competição.
Augusto Fragoso, Diretor-Geral de Informação e Inovação da ANACOM, trouxe à conversa a visão do regulador que procura estabelecer mecanismos de investimento que permitam proteger a nossa soberania digital, para que o país seja capaz de ter controlo sobre as suas redes. Trata-se de um investimento que ao ser independente da oferta e da procura assume valores elevados que devem ser alavancados nos territórios da União Europeia.
Terminámos a sessão concluindo que a existência de um Plano Nacional de Centros de Dados é um documento importante na gestão conjunta do ecossistema das comunicações que exige uma cultura de colaboração entre os vários intervenientes, maior agilidade, integração entre sistemas e constituição de consórcios.
No contexto atual a localização geográfica de Portugal, torna o país um ator capaz de atrair investimento, constituindo-se como plataforma de trabalho em articulação com os vários parceiros.
Exemplo disso, foi o primeiro exercício dedicado especificamente à segurança e resiliência de infraestruturas críticas contra a ameaça de corte de cabos submarinos que se realizou em Lisboa, no dia 24 de outubro de 2024.
Este exercício de Segurança sobre Cabos Submarinos, promovido pela ANACOM, envolveu cerca de 40 entidades nacionais e internacionais (incluindo Forças Armadas, reguladores e operadores de telecomunicações).
O seu objetivo principal foi testar a resposta operacional e a coordenação institucional face a cenários de incidentes ou corte deliberado destas infraestruturas vitais, garantindo a segurança das comunicações globais que passam pela costa portuguesa.