Os Bell – Pai e Filho na História das Comunicações

Dia do Pai, Os Bell

Ao longo da história das comunicações, a transmissão de conhecimento de geração em geração tem sido o motor de importantes invenções tecnológicas e desenvolvimentos científicos. A invenção do telefone por Alexander Graham Bell é um desses momentos.

Desde muito cedo Bell teve uma ligação profunda com o trabalho do seu avô e do seu pai, partilhando o interesse pela voz e pelo som. Deles herdou uma paixão pela educação de pessoas com deficiência auditiva que manteve toda a vida.

O seu avô, de igual nome, Alexander Bell, foi ator, especialista em voz e dicção, e ajudou pessoas com dificuldades na fala. O seu pai, Alexander Melville Bell, foi um importante professor na área de elocução. Educador de pessoas com deficiência auditiva e investigador em fonética articulatória. Tornou-se célebre pelo desenvolvimento do “Discurso Visível” (Visible Speech), em 1864-67, uma espécie de alfabeto fonético universal. Ambos dedicaram a vida a ajudar pessoas surdas a comunicar.

A vivência de um ano em Londres, com longas horas dedicadas a estudar e discutir com o avô, despertou a ambição de Bell em aprender. Também o pai incentivava a sua dedicação e ajudava-o financeiramente nas suas primeiras pesquisas e experiências. Mas o maior impulso para os estudos e realização das suas descobertas, foi sem dúvida, o desejo de ajudar pessoas a comunicar, em particular a sua mãe que era surda.

A mãe de Bell perdeu a audição, ainda ele era muito novo. Para se comunicar com ela costumava encostar a testa dele na dela para que ela pudesse sentir as vibrações da sua voz, articulando as palavras de forma muito clara e profunda perto do ouvido. Essa experiência direta com a surdez da mãe levou-o a estudar intensamente a acústica e a física do som.

Com apenas 16 anos teve a sua primeira experiência como professor de música e de dicção na Weston House Academy, na Escócia, dedicando-se aos tons de vogais e diapasões. Mais tarde, o seu interesse voltou-se para os alunos que frequentavam as aulas de terapia da fala do pai, focando-se na grande diversidade de formato e dimensões do seu trato vocal.

Em 1870 a família emigrou para o Canadá, para a convalescença do pai que tinha uma saúde débil. Mais tarde, Bell seguiu para Boston e lecionou em escolas para portadores de deficiência auditiva até fundar a sua própria escola, a School of Vocal Physiology, onde ensinou técnicas de terapia da fala e o sistema Visible Speech. Em 1873 foi nomeado Professor de Fisiologia Vocal na Universidade de Boston. Aí conheceu a aluna Mabel Hubbard, surda, por quem se apaixonou. Ela tornou-se numa das maiores investidoras nos seus projetos. Mabel, foi reconhecida como uma das primeiras pessoas com surdez profunda a conseguir falar e fazer leitura labial.

Mais tarde, o decorrer de experiências com o seu assistente, Bell observou que a voz dele provocava ruturas no circuito de receção em que estava a trabalhar, e que estas se associavam à intensidade da voz. A partir desse momento, e utilizando a indução eletromagnética, chegou à invenção do Telefone, que lhe valeu a célebre patente nº174465 concedida em março de 1876. Com ela vieram a glória e a fortuna.

No entanto, quando nesse ano Bell apresentou na Exposição do Século, em Filadélfia, a intenção de propagar pelo Mundo a “fala elétrica”, houve pouco entusiasmo e muita suspeição.

Bell frequentemente dizia que o seu trabalho com o telefone era, na verdade, um subproduto das suas tentativas de criar aparelhos que ajudassem os surdos a ouvir ou a visualizar o som.

Apesar da curiosidade que o invento de Bell despertou durante os primeiros anos de atividade em Portugal, ele não substituiu nem concorreu com o sistema telegráfico, pelo contrário, os telefones do Estado integraram-se nos circuitos de telegrafia desde 1883. Só em 1904 é que se deu a autonomização da rede telefónica.

Fontes utilizadas:
História das Telecomunicações em Portugal, de Maria Fernanda Rollo
Vultos da Eletrotecnia e da Computação, de Francisco Vaz e Pedro Guedes de Oliveira