O laboratório dos museólogos – da teoria à prática

No Dia Nacional do Museólogo, reunimos profissionais do setor, no Museu das Comunicações, com o intuito de pensar os museus enquanto laboratórios dinâmicos de experimentação.

Num mundo cada vez mais acelerado e digital, os museus funcionam como um espaço que se reinventa à medida que a sociedade se vai transformando. Cabe ao museólogo, como profissional multifacetado, curador, educador, conservador ou investigador, criar experiências para públicos diversos, adaptando a herança do passado aos desafios do presente e do futuro.

De acordo com Lídia Fernandes, diretora do Museu do Teatro Romano, o maior desafio tem sido o de tornar visível e compreensível um espaço arqueológico situado entre ruas. Coordenar um museu onde se encontram muitas camadas sobrepostas, com resultados incongruentes, obriga à articulação interdisciplinar que reúne contributos das intervenções arqueológicas e os relaciona com a investigação, publicada na revista científica anual, Scaena.

Para Flávio Santos, responsável pelo Património Filatélico e Artístico da Fundação Portuguesa das Comunicação, a formação base em antropologia revelou-se uma importante ferramenta na organização das coleções de selos do Museu das Comunicações.

No Centro de Arte Moderna Gulbenkian, Andreia Dias desenvolve projetos onde o museu se apresenta como laboratório de pensamento e a educação artística se torna ferramenta para pensar o mundo. No “Projeto Lugar” trabalham professores, artistas, equipa de mediação, para criar atividades que conduzem à produção de obras de arte coletivas, onde se fala de identidade e do lugar de cada um no mundo. Com a duração de dois anos, cada edição trabalha temas que visam transformar o visitante e a sua percepção do mundo.

No mestrado de museologia, da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Alexandre Matos procura identificar padrões, questionar, analisar a atividade dos museus para produzir conhecimento, sempre com o intuito de reduzir a distância entre o mundo académico e a prática dos museus. Sem investigação, o museu limita-se a repetir práticas e é com o objetivo de contribuir para a experimentação que a investigação deve abordar os museus enquanto sistemas de informação, entidades políticas de cultura e espaços de mediação.

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O Dia Nacional do Museólogo é anualmente organizado pela Associação Portuguesa de Museologia, a 28 de abril, para celebrar o papel fundamental dos museólogos, profissionais que se dedicam ao estudo, conservação e divulgação da memória coletiva dos museus.

O primeiro encontro aconteceu no Museu do Ar, em Sintra, em 2023. Seguiu-se o Museu Municipal Santos Rocha, na Figueira da Foz, o Cineteatro Louletano.  Em 2026 realizou-se no Museu das Comunicações, em Lisboa.