
Pensar as infra-estruturas de telecomunicações da Casa do Futuro implica reflectir sobre a comunicação, traduzindo-a em parâmetros que permitam exprimi-la em termos de quantidade e qualidade. Implica também analisar, ainda que de forma breve, a história das comunicações para procurar apreender o sentido da evolução e, assim, procurar, com todos os riscos que isso implica, perspectivar possíveis linhas do desenvolvimento futuro.
Comunicar, entendido no sentido de tornar comum, interagir ou trocar informação é, certamente, e desde sempre, uma das necessidades básicas do Homem. A informação é pois o objecto da comunicação o que nos leva a procurar quantificá-la para a poder medir. De um modo simples pode afirmar-se que a quantidade de informação mede o inverso da probabilidade p que o destinatário tem de “adivinhar” o conteúdo de uma mensagem sem que esta tenha sido transmitida.
Fórmula da Quantidade de Informação:I=log2p1
É fácil mostrar que a quantidade de informação I corresponde ao número de dígitos binários (isto é, zeros e uns) necessários para escrever 1/p (na base 2). A definição apresentada pode estender-se a sinais contínuos (como o som) com recurso a um teorema devido a Nyquist. Assim, é possível afirmar a quantidade de informação de um sinal de voz durante um segundo o que corresponde a uma quantidade de informação máxima de cerca de 64 kbits (ou 8 kB) e uma fotografia colorida no formato 9×12 cm² a cerca de 35 Mbit/s (ou 4.4 MB). O ritmo de transmissão, ou débito binário, define-se como a quantidade de informação transmitida por unidade de tempo e mede-se em bit/s.
A análise da evolução das telecomunicações permite detectar seis tendências principais que deverão determinar a sua evolução futura:
- Naturalidade: No sentido de tornar a comunicação cada vez mais natural, mais próxima da comunicação presencial (do som para imagem 3D e realidade virtual).
- Simplificação: Amigabilidade dos procedimentos, tornada possível pela automação e pela inteligência embebida nos dispositivos e nas redes.
- Integração: Integração de serviços e aplicações sobre uma mesma rede e, na medida do possível, num só terminal.
- Interactividade: Capacidade de reagir à comunicação e transmitir esta reacção ao interlocutor, privilegiando a bidireccionalidade.
- Personalização: Entendida como a adaptação do conteúdo das mensagens tanto ao equipamento terminal como às características e preferências do destinatário.
- Ubiquidade: Isto é, a possibilidade de comunicar em qualquer local, em qualquer instante, de qualquer modo, com qualquer interlocutor.
A Casa do Futuro terá necessidades de comunicações bastante superiores às actuais. A interface da rede de acesso será, provavelmente, um computador central (central de comunicações). Existirão dezenas, talvez mesmo centenas, de microprocessadores encarregados de controlar funções como o acesso, a vigilância e o controlo ambiental. É natural que as redes de comunicações e de comando e controlo sejam distintas, sendo inevitável que a rede de acesso venha a ser em fibra óptica para suportar débitos de centenas de Mbit/s ou mesmo de alguns Gbit/s.
Carlos Salema (10 jul 2003)