Há 23 anos que ouvimos Podcasts

A 30 de setembro celebra-se o Dia Internacional do Podcast. Foi há 23 anos que o formato começou a ser testado e gradualmente foi conquistando audiência até se tornar num dos formatos mais marcantes da cultura digital.

Em 2004 a designação podcast surgiu pela primeira vez num artigo do Jornal The Guardian. Assinado por Ben Hammersley, o texto apresentava o termo podcast ao juntar a palavra ipod com broadcasting.
Esta designação passou a ser massificada com a criação de agregadores, como os MP3, que permitiam a distribuição automática de episódios áudio, através de feeds de RSS.

Para aí chegar foi essencial o trabalho pioneiro do programador americano Dave Winer ao desenvolver a tecnologia RSS (Rich Site Summary). Isso permitiu que os programas de áudio obtidos através da internet pudessem ser descarregados pelos ouvintes e ouvidos onde quisessem.

Diversas plataformas de streaming começaram a perceber o potencial comercial do formato e durante quase uma década, o podcasting cresceu nos Estados Unidos tornando-se muito polular. O podcast de jornalismo investigativo sobre um crime real, mais ouvido na época era o “Serial” de Sarah Koenig. Outro exemplo foi o “The Daily” do New York Times, um podcast diário com o resumo de notícias.

Em Portugal, o primeiro podcast foi lançado em 2005, o Blitzkrieg Bop, de Duarte Velez Grilo, que se focava essencialmente em tecnologia e temas relacionados com o universo digital e a cultura geek/web.

Inicialmente, os podcasts eram feitos por entusiastas da tecnologia, programadores e geeks que usavam RSS feeds para partilhar conversas informais, muitas vezes de curta duração e com recursos técnicos limitados.

A evolução dos podcasts em Portugal acompanhou de perto a transição da internet para a Web 2.0, passando de um formato puramente tecnológico e amador para uma verdadeira indústria de conteúdos.

Com a popularização dos smartphones e das aplicações de streaming, as estações de rádio tradicionais começaram a disponibilizar os seus programas de antena em formato de podcast (catch-up radio).

O ecossistema expandiu-se para além da tecnologia, abraçando o humor, a política, o desporto e a cultura pop.

Surgiram produtoras independentes focadas exclusivamente em podcasts, bem como projetos apoiados por jornais e revistas.

O formato adaptou-se a géneros imersivos, como o jornalismo de investigação, séries documentais em áudio e entrevistas que não teriam espaço na grelha rígida da rádio tradicional.

Hoje em dia, o panorama português conta com milhares de títulos ativos, abrangendo nichos muito específicos e alcançando grande audiência.

Fontes utilizadas:

RHS Workshop – ‘Podcasting History’


Novas expressões do áudio: o podcast no ecossistema mediático Português, ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa