Dia Mundial da Criatividade e Inovação

No Dia Mundial da Criatividade e Inovação celebramos a profunda e contínua relação das comunicações com o mundo vegetal.

Durante séculos, os estudos botânicos dedicavam-se, quase exclusivamente, aos aspetos utilitários das plantas, como recurso alimentar, fonte de matérias-primas para medicamentos e meios de construção,

Nos primórdios da escrita, o papiro, a tinta ferrogálica obtida dos taninos dos bugalhos de carvalho, as gomas vegetais, entre outros recursos, guiaram a evolução comunicativa, inspirando a criação de novas ferramentas para encurtar distâncias e perpetuar o conhecimento.

Só mais tarde foram incorporadas matrizes antropológicas e ecológicas aos estudos botânicos.

Stefano Mancuso, botânico e pioneiro da neurobiologia vegetal, propõe uma mudança radical na forma como os seres humanos percebem e interagem com o mundo vegetal, sendo urgente sair de um modelo de exploração para um modelo de cooperação orgânica.

Na sua obra “A Revolução das Plantas”, defende como as plantas são seres inteligentes, sensíveis e complexos, capazes de resolver problemas, aprender e comunicar, sem terem um cérebro. Elas têm memória, perceção e capacidade de adaptação. Possuem um bom sentido de organização e cooperação que permite ligarem-se por redes subterrâneas de fungos “Wood Wide Web”, partilhando matéria e comunicando através das raízes, numa colaboração invisível.

Será essa vivência em rede também evidente nos circuitos digitais que dão vida à internet onde partilhamos conhecimento e criamos formas de inteligência coletiva (a World Wide Web)?

Num mundo cada vez mais interligado, a nossa evolução será sempre em conjunto. Tal como as árvores, também os humanos vivem em rede.

Mancuso utiliza exemplos de robôs inspirados no crescimento das raízes das plantas (projeto Plantoid) para mostrar como a tecnologia pode evoluir ao observar o mundo vegetal. Exemplo disso é a criação de robôs que imitam o comportamento das raízes para explorar o solo.

As plantas têm um modelo de inteligência descentralizada e são resilientes, diferem dos animais, que dependem de órgãos vitais únicos. As plantas pelo contrário distribuem as suas funções por todo o corpo, para sobreviver a danos extremos e resolver problemas sem um órgão central. As extremidades das suas raízes têm sensores que detetam gravidade, água e nutrientes, permitindo uma exploração eficiente e menos invasiva.

Também no mundo das comunicações, existem redes de infraestruturas de energia, água, internet que não dependem de um único nó central, tornando-as muito mais resistentes a falhas ou desastres naturais. Para Mancuso, os sistemas tecnológicos devem assentar numa cooperação horizontal onde a comunicação é feita entre múltiplos sensores.

E é neste contexto que desafiamos o público a visitar a exposição “Comunicar é Natural.  A Botânica nas Comunicações” e a refletir sobre a forma como podemos ser inspirados a criar e inovar, procurando soluções nos mecanismos da natureza que podem revelar importantes contributos para atingirmos as metas dos objetivos de desenvolvimento sustentável.

Fontes:

A Revolução das Plantas, de Stefano Mancuso

Textos do professor e biólogo, Luís Mendonça de Carvalho