
O Dia Europeu do Mar celebra-se a 20 de maio com o intuito de destacar a importância dos oceanos e mares e promover a sua proteção.
Estamos a viver condições ambientais, sociais e climáticas em mudança que exigem novas abordagens sobre o oceano. É indiscutível sensibilizar os cidadãos para a preservação ambiental, inovação, investigação e cooperação marítima. E é neste contexto, que os desafios da Década dos Oceanos (2021–2030) procuram implementar políticas que contribuam para um oceano funcional, produtivo, resiliente, sustentável e inspirador. Como combater a poluição, restaurar a biodiversidade e usar o mar na procura de soluções para as alterações climáticas, garantindo a proteção costeira e a promoção da economia azul?
Ao mesmo tempo aposta-se na inovação tecnológica e na partilha de conhecimento ao nível global. Atualmente existem centenas de sistemas de cabos submarinos de fibra ótica que cruzam os oceanos e transportam cerca de 99% do tráfego internacional de dados.
A transição tecnológica dos próximos anos vai exigir uma infraestrutura subaquática robusta, com modelos de inteligência artificial que processam volumes cada vez maiores de dados, partilhados entre centros de dados, dispersos por diferentes continentes, em milissegundos, com armazenamento em servidores globais. Já o 6G, promete velocidades até 100 vezes superiores ao 5G e uma integração total com automação e robótica e exige uma rede de cabos submarinos massivamente expandida.
E é neste contexto que surge a necessidade de pensar como podemos proteger os cabos submarinos das adversidades, dos acidentes marítimos, dos terramotos subaquáticos, vulcões e deslizamentos de terra no fundo do mar, das guerras e alvos militares.
A estratégia da Década dos Oceanos da ONU exige o mapeamento completo do fundo do mar, como elemento vital para as comunicações. Rotas mais seguras, cabos longe de falhas sísmicas ou ecossistemas vulneráveis; cabos inteligentes (smart cables) com sensores ambientais que permitem medir a temperatura da água, a pressão, a atividade sísmica, ajudando especialistas e cientistas a prever tsunamis e a monitorizar as alterações climáticas.
O oceano cobre mais de 70% do planeta, regula o clima, produz cerca de metade do oxigénio que respiramos e alimenta milhares de milhões de pessoas.
Portugal tem tido uma posição de grande relevância na Década dos Oceanos devido à sua vasta Zona Económica Exclusiva (ZEE) e à sua forte tradição de diplomacia azul. Em 2022, a Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, que decorreu em Lisboa, revelou como o país está na linha da frente na promoção da literacia do oceano e da investigação em águas profundas.
Exemplo disso foi a criação, em 2017/18, da rede nacional “Escola Azul”, um programa que se tornou uma referência internacional, reconhecido em 2024 pelo seu contributo para a implementação dos objetivos da Década dos Oceanos. Este programa educativo desafia as escolas a desenvolverem um projeto estruturante sobre o oceano, integrando-o no seu currículo e envolvendo toda a comunidade escolar.
O grande objetivo é criar uma verdadeira cidadania oceânica, com enfoque numa vertente prática. Pretende-se que os alunos ajam no sentido de se mudar comportamentos e que influenciem a sua comunidade para a proteção dos mares. A interdisciplinaridade é a estratégia, ao abordar o oceano como uma parte integrante de diversas disciplinas para além das Ciências da Natureza, a História, as Artes (expressão plástica com materiais reciclados), o Português (literatura ligada ao mar) e até a Matemática (estatísticas de poluição).
Este modelo obteve resultados significativos e revelou-se tão relevante que a Comissão Europeia criou a EU4Ocean, como a Rede Europeia de Escolas Azuis. Abriu-se assim uma porta para o intercâmbio cultural e científico entre as escolas portuguesas e as de outros países europeus.
Para saber mais sobre cabos submarinos e a importância da batimetria do oceano para as telecomunicações, visite a exposição “Cabos Submarinos“.
Fontes utilizadas:
Década do Oceano – Comité Português para a Comissão Oceanográfica Intergovernamental
Década do Oceano – A ciência de que precisamos para o oceano que queremos