A travessia do oceano Atlântico pelos cabos submarinos

No final do século XIX, a demora do encaminhamento da comunicação tornava-se insustentável dentro e fora da Europa. Por exemplo, na Índia era preciso esperar seis semanas para receber uma mensagem de Inglaterra. Tornava-se por isso urgente arranjar uma solução.

A 8 de junho de 1870, entrou então ao serviço o primeiro cabo telegráfico submarino, que ligava Portugal a Inglaterra. Na inauguração desta efeméride, foram trocadas as primeiras mensagens entre o Rei D. Luís I, de Portugal, e a Rainha Vitória, de Inglaterra. A comunicação por cabo marítimo foi de tal maneira elogiada que mereceu o título de 8.ª maravilha do Mundo.

Para se chegar a este glorioso feito, um grupo de funcionários britânicos da companhia Falmouth Gibraltar and Malta Telegraphe Company, instalaram-se em Carcavelos, na Quinta Nova de Santo António, onde trabalharam arduamente e aí viveram durante muitos anos.

O seu impacto na vivência dos locais na época foi tão grande que originou a alcunha de “Quinta dos Ingleses”. Nas horas de lazer praticavam uma série de desportos nos amplos espaços da quinta. Entre eles, o futebol foi aquele que mais atenção despertou aos portugueses, que rapidamente se juntaram e disputaram jogos com os funcionários ingleses. De facto, considera-se que o futebol português começou “a sério” nessa altura.

Em 1889, com a chegada da linha do caminho- de- ferro a Cascais, a quinta tornou-se o local de partida dos primeiros-cabos telegráficos submarinos amarrados em Portugal, ligando Inglaterra a Gibraltar e Malta, com o intuito de chegar à Índia, e posteriormente aos Açores e ao Brasil, numa malha intrincada que não parou de crescer, acompanhando a evolução das tecnologias de comunicações via cabos submarinos até aos anos 70 do séc. XX.

Ao longo de décadas, Portugal, através dos seus territórios insulares atraiu várias companhias inglesas, norte-americanas, alemãs e italianas de cabos submarinos, resultado das necessidades de comunicações dentro dos seus impérios coloniais.

As limitações da tecnologia daquele tempo exigiam pontos de retransmissão e a posição geográfica dos territórios portugueses impunha-se, e fez com que se integrasse numa rede mundial que evoluía todos os dias, criando soluções para as necessidades de desenvolvimento do tráfego com os territórios que administrava e do tráfego terminal internacional.

As principais estações de cabos submarinos internacionais eram Carcavelos, Horta, Funchal e São Vicente,  localizadas em pleno Atlântico, a meio caminho entre a América do Norte e a Europa. A Horta destacou-se na rede telegráfica submarina internacional, tendo chegado a ter 15 cabos internacionais amarrados.

A partir do início do século XX, as comunicações internacionais telegráficas por cabos submarinos passaram a ter um concorrente de peso: a telegrafia sem fios e as primeiras comunicações telefónicas via rádio. Os cabos telegráficos submarinos foram então perdendo importância e sendo substituídos pelos cabos submarinos coaxiais – com amplificação de sinal por meio de repetidores submarinos, permitindo não só as transmissões de mensagens telegráficas, mas essencialmente a transmissão das comunicações telefónicas, que até aí eram efetuadas via rádio.

Na exposição “Cabos Submarinos” , patente no museu das comunicações,  encontra os aspetos históricos ligados à tecnologia dos cabos submarinos que hoje são as autoestradas da internet, bem como a apresentação do seu impacto tecnológico, económico e social nas comunicações globais.

Créditos Ilustração: The Eighth Wonder of the World – the Atlantic Cable – Library of Congress – United States of America

Sabia que em 1970, no 1º Centenário do Lançamento do Cabo Submarino, foi emitido um selo comemorativo?

Duarte Nuno Simões. Selo da emissão «1º Centenário do Lançamento do cabo submarino Portugal-Inglaterra», 1970. Coleção dos CTT Correios de Portugal. À guarda da Fundação Portuguesa das Comunicações. Todos os direitos reservados