
O dia 23 de novembro, escrito no formato 11/23, foi definido como “Dia de Fibonacci”, por esta data corresponder aos quatro primeiros números da sucessão de Fibonacci (mês, seguido de dia).
A Fundação Portuguesa das Comunicações celebra a Semana da Ciência e da Tecnologia, destacando Leonardo Fibonacci, homem das ciências da Idade Média, considerado o primeiro matemático europeu.
A exposição “Destino Camões: Épico, lírico, universal – uma viagem filatélica por 500 anos de história, assenta num suporte em espiral, uma simbologia antiga da sequência de Leonardo Fibonaccio, que representa na arquitetura desta mostra uma composição equilibrada e harmoniosa.
Leonardo Bigollo, mais conhecido como Fibonacci, nasceu a 23 de novembro de 1170 em Pisa, e faleceu 80 anos mais tarde nessa mesma cidade italiana. Entre as muitas contribuições à matemática, a de maior impacto foi ter introduzido na Europa o “sistema indiano” de numeração, isto é, o sistema posicional decimal que utilizamos até hoje.
Fibonacci foi educado na cidade de Bugia, na Argélia, onde o seu pai, Guglielmo dei Bonacci, foi designado representante comercial e oficial alfandegário para o importante porto exportador de velas de cera.
Naquela época, as elites educadas da Europa ainda escreviam em latim e representavam os números pelo sistema romano, usando as letras M, D, C, L, X, V e I. Para ultrapassar a difícil forma de fazer contas de somar e multiplicar, os mercadores usavam o ábaco, instrumento vindo da Suméria no terceiro milênio a.C.
Leonardo Fibonacci viveu, desde muito jovem, num meio vibrante em que catalogar mercadorias e preços era uma atividade constante, e fazer contas uma necessidade quotidiana. Foi neste ambiente que aprendeu técnicas criadas por matemáticos da Índia algum tempo antes de 700 a.C. usadas por comerciantes árabes que navegavam no Mediterrâneo.
Através dos ensinamentos de um professor árabe, Fibonacci tomou conhecimento do sistema indiano de dígitos: 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2 e 1. Aplicou-o a uma invenção e escreveu “Aqui começa o Livro de Cálculo Compilado por Leonardo Pisano, da família Bonaci, no ano de 1202 – uma nova forma de escrever números e calcular com eles”.
Ao reconhecer que a aritmética com algarismos arábicos era mais simples e eficiente do que com os algarismos romanos, Fibonacci viajou por todo o mundo mediterrâneo, chegando até Constantinopla, para estudar com os matemáticos árabes mais importantes de então. Foi alternando os estudos com a atividade comercial.
Em 1202, com 32 anos, a partir de uma investigação sobre o crescimento de uma população hipotética de coelhos, destacou-se ao escrever o Liber Abaci (Livro do Ábaco), a primeira obra importante sobre matemática do Ocidente.
O livro introduziu os numerais hindu-arábicos na Europa e demonstrou a sua aplicação em cálculos comerciais e financeiros, apresentando também uma ampla coleção de problemas aritméticos e algébricos, com profunda influência na educação matemática e nas práticas mercantis da Europa ocidental, servindo como base para o desenvolvimento da contabilidade e da aritmética moderna.
Defendia a numeração com os dígitos 0-9 e a notação posicional, esclarecendo o sistema de posição árabe dos números, incluindo o número zero. Cada termo subsequente correspondia à soma dos dois anteriores – 1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, 34.
Os seus estudos foram tão importantes que até hoje existe uma publicação periódica denominada Fibonacci Quarterly, inteiramente dedicada à sequência aritmética elaborada por ele. Há também um asteroide com o seu nome, o 6765 Fibonacci.
Fontes utilizadas:
https://eventos.utad.pt/evento/dia-fibonacci/?print=print