
No Dia Europeu das Línguas, celebrado a 26 de setembro, lembramos como a escrita nasceu da necessidade dos povos se comunicarem para garantir a sua subsistência.
As cerca de 7159 línguas existentes no mundo diferenciam-se pela sua identidade e valor individuais. Se recuarmos aproximadamente ao ano 3.200 a.C. encontramos na Mesopotâmia (atual Iraque) a primeira língua escrita (escrita cuneiforme), o sumério. Seguiu-se o egípcio antigo, registado através de hieróglifos.
Com o aumento da população, as trocas comerciais tornam-se fundamentais para o desenvolvimento dos sumérios. Para tal era preciso proceder à contagem dos produtos. Os cálculos para controlo administrativo e comercial passaram a ser registados no sistema cuneiforme em tabuinhas de argila que era abundante naquela zona. Nesta escrita, os símbolos correspondiam a números.
Mais tarde, foram-se inscrevendo nas tabuinhas textos de caráter administrativo, religioso, político, económico e social e a troca de mensagens escritas adquiriu um lugar importante na vida quotidiana e nas relações diplomáticas e comerciais.
Na civilização egípcia, a escrita por hieróglifos era usada na escrita de textos em papiro. A partir dos hieróglifos surgiram vários sistemas de escrita baseados em letras, que representavam sons.
No ano 196 a.C., no Egito Ptolemaico, foi criada a Pedra de Roseta, um fragmento de estela de granodiorito (uma rocha cinzenta muito parecida com o granito), com 112,3 centímetros de altura, e um peso de aproximadamente de 760 quilogramas. Nela está inscrito o Decreto de Mênfis, promulgado pelo faraó Ptolomeu V, um conjunto de textos legislativos, honrando os faraós reinantes, e detalhando isenções fiscais e privilégios concedidos aos sacerdotes egípcíos.
A descoberta da Pedra de Roseta, em 1799, durante as invasões das tropas de Napoleão Bonaparte no Egito, apesar de ter sido acidental mudou o rumo da arqueologia mundial.
A pedra foi entregue aos ingleses após a derrota dos franceses no Egito, transportada para Inglaterra em 1802, e colocada no Museu Britânico, onde permanece até hoje.
Em 1822, o francês Jean-François Champollion conseguiu fazer a tradução dos hieróglifos da Pedra de Roseta. O mesmo texto está gravado em três escritas diferentes: hieróglifos (uso sagrado/formal), demótico (escrita popular egípcia) e grego antigo (língua dos governantes da época). O demótico e o hieróglifo utilizam caracteres fonéticos para representar nomes e também para representar palavras nativas do egípcio.
A partir desse momento, conseguiu-se decifrar a escrita hieroglífica e abrir a porta para o estudo histórico da civilização do antigo Egito.
Na exposição “Vencer a Distância – Cinco Séculos de Comunicações em Portugal” pode ver uma réplica da Pedra de Roseta, descrita pelos historiadores como sendo a pedra mais famosa do mundo linguístico.
Fontes:
Atlas Histórico da Escrita, de Marco Neves
As Comunicações na Antiguidade, de Luís Manuel de Araújo e Nuno Simões Rodrigues