
Fevereiro de 1912 marca a assinatura do contrato entre o Governo de Portugal e a Marconi Company para a implementação da Telegrafia Sem Fios (TSF).
Em 1897, Guglielmo Marconi criava a sua empresa e colocava em funcionamento o primeiro telégrafo sem fios, utilizando ondas hertzianas e o código Morse para transmitir informação, sem a necessidade de cabos físicos. Quatro anos mais tarde, em 1901, realizou-se a primeira comunicação transatlântica entre o Canadá (Terra Nova) e Inglaterra (Cornualha), cobrindo uma distância de 3500 km.
As primeiras experiências de telegrafia sem fios em Portugal aconteciam mais tarde, a bordo de um navio da Marinha Portuguesa, o cruzador D. Carlos, permitindo a comunicação com outros navios, numa distância de 20 km.
Foram, no entanto, precisos dez anos para Portugal firmar o contrato com a empresa de Marconi, o que se deveu a diversas causas: atrasos em cumprir algumas das exigências técnicas e infraestruturais da Marconi para a instalação da rede; demora na avaliação técnica sobre o impacto e a viabilidade da TSF e a instabilidade que se vivia na mudança de regime, da Monarquia para a República.
Portugal pretendia modernizar as comunicações marítimas e coloniais, pelo que a atenção focou-se primeiramente nas ligações de Portugal Continental com as ilhas da Madeira e Açores, e com as colónias em África. A Marinha Portuguesa foi fundamental neste processo com a Marconi.
Em 1925, a presença da Marconi consolidou-se com a fundação da Companhia Portuguesa Rádio Marconi, atuando não só na instalação de infraestruturas, mas também como um “agente de inovação”, transferindo know-how técnico e científico para Portugal e permitindo uma nova rede de comunicações num período de grandes mudanças políticas.
Para saber mais sobre a tecnologia TSF, venha conhecer alguns exemplos de recetores e transmissores, entre eles um Marconi, expostos no Museu das Comunicações.
Fontes utilizadas:
Olhos De Boneca, Uma História Das Telecomunicações 1880-1952, de Rogério Santos
Vultos da Electrotecnia e da Computação, coordenação de Francisco Vaz e Pedro Guedes de Oliveira
Créditos fotografia: LIFE Photo Archive