Page 87 - Comunicar na Republica

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I República – Liberdade em ação
cana) em 1924. Todas elas irão multiplicar o número
de cabos transatlânticos e de ligação ao Mediterrâ-
neo a partir de Alagoa (Faial) chegando a atingir um
total de quinze neste período.
Este aumento exponencial de amarrações é acom-
panhado a partir de 1923 com as melhorias técnicas
introduzidas por várias companhias com a utilização
de cabos de grande velocidade que passarão a ligar
a Horta ao Canadá, aos EUA, à França, à Itália e à
Irlanda.
A convergência de trabalhadores e engenheiros das
várias nacionalidades acompanhados das respetivas
famílias conferem à Horta, neste período, um am-
biente cosmopolita, absolutamente inusitado quer nas
ilhas atlânticas quer no próprio continente.
Exemplo acabado desta realidade é a Trinity House,
onde os operadores do telégrafo submarino, os «ca-
bografistas», de nacionalidade inglesa, norte-ameri-
cana e alemã partilham o mesmo edifício nas tarefas
de receção e reenvio das mensagens telegráficas.
Prestes a sofrer a concorrência da telegrafia sem fios
(TSF), que acabará por dominar as comunicações in-
ternacionais, esta é, porém, a idade de ouro das co-
municações telegráficas por cabos submarinos.
Portugal inseriu-se na esfera das comunicações te-
legráficas internacionais transatlânticas a partir dos
finais do século XIX (1870). Mesmo antes do final do
século (1893) completa-se a sua ligação por via dos
cabos submarinos às ilhas atlânticas e às possessões
africanas, bem como ao resto do mundo, por intermé-
dio da rede britânica.
No crescendo expansionista desta tecnologia os go-
vernos da I República assumem a vital importância
das ilhas açorianas, em particular do Faial, pressio-
nados que estavam pelas potências europeias e pelos
EUA para abrirem este ponto estratégico de amarra-
ção, a meio caminho entre a Europa e a América do
Norte, aos seus interesses e comunicações.
O exclusivo da concessão inglesa, dominante durante
vinte e cinco anos (1893-1918), é formalmente supera-
do, permitindo a instalação da Deutsche Atlantische
Telegraphen-Gesellshaft (alemã) e da Commercial
Cable Company (norte-americana) já subconcessio-
nárias antes da Grande Guerra. No período do con-
f lito também a França, enquanto potência aliada,
entrou na corrida pela amarração no Faial através
da Compagnie Française des Cables Télégraphiques.
A estas companhias juntar-se-ão a Italcable (italiana)
e a Western Union Telegraph Company (norte-ameri-
O Portugal republicano
e a 1.ª fase da globalização.
Os cabos submarinos telegráficos
ligados aos Açores
Isabel Varão
Ao lado: Instalação de cabos telegráficos na Horta, Açores, 1904.
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