Page 13 - Comunicar na Republica

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Enquadramento
vestidos nas suas funções em poderes distintos» (po-
der constitucional, legislativo, executivo, judiciário...).
Muitas vezes, república confunde-se com regimes
liberais ou até com (neo)Liberalismo... Outras vezes,
república apenas por democracia, (democracia essa
que pode existir num sistema presidencialista ou par-
lamentarista, republicano ou até monárquico e pode
ser directa e/ou indirecta, onde o poder emana do
povo ou está nos cidadãos por meio de representan-
tes eleitos por estes). Mas república/republicanismo,
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por regra geral é hoje a designação do Estado ou do
regime político que optou pelo chefe de Estado eleito
pelo povo e, por tempo limitado, que se opõe à mo-
narquia, onde o monarca ocupa normalmente esse
cargo, mas com caráter vitalício e/ou hereditário.
Embora hoje se assista com frequência a uma certa
5. Joel Serrão. (Direção de)
In: Dicionário de História de Portu-
gal
: «Republicanismo. Se pretendemos caracterizar, com cla-
reza e a distinção possíveis, o republicanismo português, en-
contrar-nos-emos, sem dúvida alguma, ante um problema de
difícil abordagem. Pela sua natureza tantas vezes vaga, pelos
desencontrados caminhos que historicamente nele tiveram
origem, o fenómeno ideológico republicano esquiva-se à aná-
lise, na medida em que se nos apresenta, nuclearmente, como
uma contraditória aspiração da consciência burguesa, que se
diria revoltada contra a sua mesma condição. Aspiração essa
que, em boa verdade, se concretizou muitas vezes em rep-
tos líricos, em declarações enfáticas, porém raramente, e só a
partir de certo momento, num sistema articulado de ideias e
intenções. Para perscrutar o sentido mais fundo do republica-
nismo, há que situá-lo no seu contexto histórico português, ou
seja, nas suas relações umbilicais com o liberalismo, tal como
ele se definiu e vicejou na terra lusitana. Nesta perspetiva,
afigura-se legítima a asserção de que o republicanismo portu-
guês já existia, latente, na corrente esquerdista das Cortes Ge-
rais de 1820 (v. Vintismo), assim como a ideologia setembris-
ta (a partir de 1836) (v. Setembrismo) e na rebelião patuleia
(1846-47). Porém, sobretudo, ele é originário, matricialmente
e no contexto europeu, da tríade liberdade, igualdade e fra-
ternidade, que a Revolução Francesa (1789) tornou lábaro das
esperanças progressistas no decurso do século XIX. (...) Pela
via do pendor democratizante, subjacente ao liberalismo de
esquerda, opera-se a transição ideológica que, cerca de 1870,
incompatibilizada com o statu quo, entrevê o porvir da grei na
solução política do regime republicano, que seria, aos olhos
da inteligência moça desse tempo, conclusão natural e fatal
da “revolução”. Eis como exprimia Antero (1870), bardo da
“ideia nova”, a vivencia republicana da sua geração: a revo-
lução “domina, com a ubiquidade do destino, a humanidade
contemporânea, e sob várias formas e vários nomes a penetra
por todos os lados. É a renovação universal dos espíritos e das
sociedades. No mundo dos pensamentos chama-se filosofia;
no das consciências, liberdade religiosa; no mundo dos fatos
sociais o seu nome é democracia e república. Mas como os
fatos sociais, na sua imensa complexidade, representam nas
instituições o estado e a feição dos pensamentos e das cons-
ciências, a República deixa de ser uma instituição particular
e circunscrita, para se tornar a forma compreensiva de toda
a substância social e o símbolo visível da Revolução. É mais
do que uma palavra; é um credo; mais do que uma bandei-
ra; é um lábaro”» ( jornal
A República
de 11 de maio de 1870,
pp. 285-287).
cognitiva/cognoscitiva, pelo prazer do experienciar/
usufruir em complementaridade interativa com ou-
tras exposições/eventos, no âmbito, e integrados no
roteiro educativo das comemorações do centenário.
Paragens nas paisagens percorridas – pela e na evo-
lução das comunicações postais e telecomunicações
– pretexto para sensibilizar, informar, motivar o visi-
tante pelo prazer da descoberta, para o poder estar
por dentro/localizar e, através do devido destaque,
referenciar a importância desses objetos museológi-
cos nas comunicações da República, no quotidiano
das nossas memórias, conhecimentos e vivências,
inserindo-os em cada um dos períodos históricos re-
feridos, na evolução das comunicações na República
– técnicas e tecnologias/produtos e serviços dos cor-
reios, telecomunicações e instituição reguladora do
setor, ao longo de 100 anos (1910-2010) da sua história
no contexto museal (museográfico interactivo) «(a)
dentro» e no âmbito da exposição «Vencer a Distân-
cia – Cinco Séculos de Comunicações em Portugal».
Caminhos de chegada à partida
Pressupostos, reflexões de realidades, virtuali-
dades, virtuosidades e imaginários metamórfi-
cos e/ou metafóricos...
O significado do verbo comunicar, muito abrangente,
tem evoluído com(o) a humanidade, se entendermos
comunicação como uma necessidade humana vital
para construção/reprodução/envolvimento/desen-
volvimento individual/grupal/social. A comunicação
genericamente, como ligação e/ou ato, ação ou efeito
de comunicar ou de comunicar(-se)... e, comunicar,
essencialmente, como a imprescindibilidade do dar a
conhecer, compartilhar, conviver, trocar, transmitir a
outro – é o tornar comum.
O conceito de república também contém algumas
ambiguidades interpretativas...
Por um lado o significado da origem da palavra repú-
blica como coisa pública...
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Por outro lado, a república como «uma forma de go-
verno em que o Estado se constitui de modo a aten-
der o interesse geral dos cidadãos», (de todos, inde-
pendentemente da forma de governo), mas também,
«uma forma de governo na qual o Povo é soberano,
governando o Estado por meio de representantes in-
4. José Pedro Machado.
In: Dicionário Etimológico da Língua
Portuguesa
: «República, s. Do lat. República, forma por rem
pública, de res pública, “a coisa pública, o estado; adminis-
tração do estado, negócios públicos, vida política; o governo
considerado nas suas relações com o exterior: forma de go-
verno”; por via culta.» (p. 81).
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