Página 68 - Códice nº7, ano 2010

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Esse facto trouxe, como consequência, uma mudança generalizada
das pessoas e das instituições para esse novo ambiente de trabalho.
O
Google
conseguiu conquistar uma grande audiência, roubando às
bibliotecas grande parte dos seus utilizadores. A sua interface amigá-
vel e o seu notável
ranking
de resultados de pesquisa conferiram-lhe
imensapopularidade. Nas bibliotecas, atéhábempouco tempo, tudo
eramaishermético, osutilizadores confrontavam-secomuma interfa-
ce de pesquisamais difícil e listagens intermináveis de resultados sem
qualquer relação entre si e semaparente organização. Para estancar
aperdade utilizadores e poder competir como
Google
,
os sistemas de
informação procuraram melhorar as suas interfaces e ocupar o seu
próprio espaço nesse novo ambiente. O
Google
é bom, mas superfi-
cialmente eficaz. Mas, há que aproveitar a sua lição e trazer o que
tem de bom para os nossos serviços. As interfaces tornam-se mais
interactivas e disponibilizam novas funcionalidades para os utiliza-
dores poderem interagir com a aplicação e partilhar o conhecimento
dentro das suas redes sociais.
Háumreconhecimentogeneralizadodo valor da informaçãopor parte
das organizações, que começam a investir em ferramentas que lhes
permitemumtratamento estruturado e normalizado dos dados. Esta
opção representa um investimento inicial significativo em formação,
porqueéprecisoaaquisiçãodenovas competências.Mas esteesforço
inicial equivale, no médio e longo prazo, a uma segurança e a uma
economia que podem ser significativas. Há uma maior confiança no
trabalho realizado, porque são seguidas recomendações de serviços
1.
Introdução
A Fundação Portuguesa das Comunicações tem à sua guarda um
importante património documental na área das comunicações e faz
parteda suamissãopreservá-loedivulgá-lo. Entreoutras actividades,
apoiaa investigaçãohistórica e sócio-económicado sector e«porque
entende a divulgação da história das comunicações como uma activi-
dade viva, a Fundação dá particular ênfase às novas tecnologias e ao
seu contributo para o desenvolvimento económico e social do país»
1
.
Para assegurar o cumprimento desse objectivo, está em curso no
CentrodeDocumentaçãoe Informaçãoda FPCumprojectodemoder-
nização que visamelhorar as condições de acesso a esse património.
A custódia de documentos únicos e fundamentais para a história das
comunicações responsabiliza a FPC perante o interesse público real
e potencial, e por isso se pensou num sistema que disponibilizasse a
informação num suporte que fosse imediatamente acessível a todos
no local ou via
web
.
O património cultural está, em toda a parte, a ser transferido para
novos suportes digitais a uma velocidade vertiginosa para a consti-
tuição de grandes bibliotecas digitais, às vezes por pressões políticas
internacionais, como é o caso da Europeana. Esta tendência de tudo
digitalizar, embora forçadapor razões alheias às próprias bibliotecas,
criou condições para um clima tecnologicamente favorável ao apa-
recimento de novas soluções, a maior parte delas baseadas na
web
.
A emergência destas novas ferramentas tornou possível, a baixos
custos, dar visibilidadeaqualquer projectopessoal ouorganizacional.
O acesso à informação
e os novos desafios digitais
na Fundação Portuguesa
das Comunicações
Teresa Teixeira
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Mestre em estudos da Informação e Bibliotecas Digitais
Carruagem da mala-posta “à inglesa”. Foi utilizada no transporte de passageiros e correio, carreira de Lisboa ao Porto, património museológico da FPC.