Página 68 - Códice nº6, ano 2009

68
Desde o início da Segunda Grande Guerra, o impulso das comunica-
ções demassas influencioudemuitas formas onosso consciente e sub-
consciente.As imagens visuais ganhamcada vezmais força de expres-
são e a televisão faz a sua apresentação de uma forma retumbante
namaneira de comunicar. As imagens são impressas, pintadas, foto-
grafadas e escritas de uma forma animada.
Em paralelo, o desenvolvimento dos sons e da música evoluem na
forma, na concepção e na transmissão, permitindo criar um jogo de
sinais comuns e de símbolos que se vão rapidamente relacionando. A
exaltação icónicapropõeumreajuste social assentenas oportunidades
oferecidas, promovendo escolhas mais inteligentes e variando o seu
poder conforme as solicitações materialistas e comerciais. A cultura
de massas dá assim os seus primeiros passos!
O aparecimento de imagens de fácil retençãomental cria uma hege-
monia publicitária de nova iconografia social, seja assente em valo-
res culturais, religiosos ou simplesmente mundanos. A partir deste
momento, os lugares de adoração passamdos locais de culto religio-
so para os de culto consumista, os signos desta nova concepção de
sociedade são encontrados em supermercados,painéis publicitários,
capas das revistas e,claro,nas telas das televisões. Estes lugares não
são mais que o resultado da criação do homem no seu novo meio
ambiente e têm como principal baluarte a sociedade de consumo
americana (e de certa forma os sectores menos conservadores da
inglesa, embora commuito menos expressão).
Nos Estados Unidos,mais particularmente emNova Iorque,as influên-
cias da publicidade e das comunicações de massas são extrema-
mente poderosas. Uma panóplia de meios de comunicação opera
continuamente, um semnúmero de publicações promovem cada vez
mais pessoas e produtos, cinemas e teatros dão o tudo por tudo por
novos protagonistas.
P
ela primeira vez na história, a arte foi utilizada para uma instru-
mentalizaçãodeelementos domundoda«não-arte»,provocando
uma modificação da consciência e reorganizando-a por efeito da
sensibilidade. Os aspectos sociais e culturais mais relevantes que
influenciaram o último grande movimento artístico do Século XX alu-
diram a movimentos decorrentes do aparecimento da sociedade de
massas, o efeito do consumo, a importância do sucesso e do lucro, a
linguagem comercial; enfim, a associação da banalidade redundan-
te do real com o próprio movimento e a elevada provocação estética
do mundo dos mass-media.
A pop art inovou, criou a sua própria linguageme os seus seguidores,
provocou uma inversão interpretativa das formas de considerar a
arte,desmistificou empirismos e enfatizou o real como fulcro da cria-
tividade e da interpretação. Mesmo na época moderna, em que a
maior parte dos artistas e críticos puseram de parte a teoria da arte
como representação de uma realidade exterior em favor de uma
expressão subjectiva… o conteúdo está sempre em primeiro lugar e
a fuga à interpretação parece constituir uma característica particu-
lar da expressão artística moderna, nomeadamente na expressão
da pintura abstracta que objecta a tentativa de não ter nenhum
conteúdo (uma vez que semconteúdo não pode haver interpretação).
Apopart mesmo invertendoestepensamento,acaba tambémpor tor-
nar ininterpretável a criação.Mas então senemsequer comautilização
de elementos significantes podemos interpretar a obra,de que forma
a poderemos interpretar?
Este problema poderá ser abordado sob a forma de um conjunto de
breves reflexões sobre o paradigma da interpretação, entre o colec-
tivo e o individual, na corrente artística que veio estimular, do ponto
de vista da percepção, a forma de encarar a arte como veículo inter-
pretativo da realidade.
Guia para um pensamento pop:
Uma introdução
Gonçalo Nunes Rodrigues
|
Docente do ensino superior