Página 68 - Códice nº5, ano 2008

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administrador-geral a concretização do museu que Guilhermino de
Barros congeminarano séculoXIX,quandoos Correios passaramaDirec-
ção-Geral dos Correios,Telégrafos e Faróis.
Opalestrante,ao fazer uma rondapelosmuseus congéneres jáemfun-
cionamento, apresenta a experiência do museu dinamarquês, que
chegou à conclusão de que «era necessário percorrer as estações do
país, à procura de objectos de interesse para oMuseu. (...) É que só os
Conservadores sabem o que lhes interessa (...)».
E, considerando a selecção do material para o Museu dos CTT, inter-
roga-se se«deverá ummuseu postal recolher «emespécime» todos
os objectos que lhe digam respeito? A admitir resposta afirmativa
para esta pergunta,qualquer museu da categoria do nosso se trans-
formaria numa ... Babilónia! Não haveria espaço que chegasse para
«
recolher» todas as coisas utilizadas nos Correios,Telégrafos e Tele-
fones: ambulâncias postais, barcos postais, mobiliário, postos emis-
sores, furgonetas, etc.»
Afinal, parece que tudo seria muito mais simples. Embora a uma dis-
tância considerável em tempo, em Março de 1955, os Serviços Cultu-
rais dos CTT editam,sob o título«Museu dos CTT»e subtítulos ordem
de serviço N.
o
5501,1,
Regulamento do Museu dos CTT, o que iria ser o
Museu dos CTT,quais seriamos seus sectores (o que implica que acer-
vo teria), quais os serviços que comportaria, com que pessoal funcio-
naria e quais as respectivas funções, que horário praticaria ...
Indicando-se aqui serviços como os de Secretaria,Inventariação,Téc-
nicos e de Conservação, apenas o pessoal da Secretaria é especifica-
do, pois «Os Serviços de Secretaria são desempenhados por pessoal
do quadro administrativo (...)».
Nadaé esclarecidoquantoa classificação,inventariação e registo,ser-
viços técnicos,serviços de conservação (para utilizar a terminologia do
Regulamento citado).
E
mpalestra proferida emOutubro de 1949, o primeiro conservador
doMuseu dos CTT,Dr.MárioGonçalvesViana,dirigiu-se ao correio-
-
mor Eng.Couto dos Santos nestes termos:«Foi por propostadeV.Exa.
que S. Exa. o Ministro das Comunicações se dignou criar o Museu dos
Correios, Telégrafos e Telefones, velha aspiração deste organismo,
mas aspiração que, há longos anos, não passava de um vago sonho,
(...)»
Esta palestra, a n.
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das Palestras Profissionais que periodicamen-
te reuniamo pessoal dirigente superior dos CTT,quase semexcepções,
para daremcomum testemunho das várias áreas de actividade come-
tidas à Administração-Geral, serviu para o conferencista apresentar
a sua visão do Museu em geral e daquilo que o Museu dos CTT deve-
ria vir a ser. Consciente das dificuldades que iria encontrar, diz mais à
frente que «ummuseu que se organize traz consigo um número infi-
nito de assuntos a resolver, que pouca gente estará em condições de
avaliar, com justeza, à primeira vista. (...) commuito mais razão pode
fazer-se tal afirmativa acerca de um Museu dos Correios, Telégrafos
eTelefones. Comefeito,ele não é ummuseu de arte,não é ummuseu
industrial, não é um museu etnográfico, não é um museu técnico,
não é um gabinete de estampas, não é um gabinete de fotografias,
não é um gabinete de moedas, não é ummuseu de mobiliário, não é
ummuseu histórico,mas participa de todas estasmodalidades e tem
de obedecer, em cada uma delas, às técnicas respectivas. Nisto resi-
de a sua dificuldade.»
A fazermos fé nestas afirmações,pesando tudo o que umMuseu dos
Correios,Telégrafos eTelefones não era,oque viriaa ser umtal museu?
Estava-se nessemomento em fase de arranque da instituição,os pri-
meiros passos destinavam-se a juntar as peças que tinhamsido guar-
dadas desdeo célebre relatóriodeGuilherminodeBarros,peças desen-
cantadas por Godofredo Ferreira e base que lhe serviu para propor ao
O Museu dos CTT
Antero de Sousa
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Antigo Conservador do Museu dos CTT
Palestra profissional, acervo do arquivo histórico da FPC.