Página 4 - Códice nº5, ano 2008

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cado,aquele que lhe calçavaquenemuma luva,dadoo seugostopela
História e pelo ensino.
Escutando a Dr.
a
Maria da Glória e demãos dadas coma Dr.
a
Alva, res-
surgirmos e partilhamos construtos construídos e a construir :
130
anos...
«...
se hace camino al andar.»
António Machado
Poeta espanhol
«
Não é possível ignorar que a história do correio e,de imediato,a das
telecomunicações estão intrinsecamente ligadasàhistóriadacivilização.
As comunicações vencem o obstáculo de quaisquer fronteiras, inde-
pendentemente de serem naturais ou políticas.
A institucionalização do correio surge em finais do século XVIII. A par-
tir deste momento, nasce uma nova história. A história contada é
referenciada com objectos museológicos. Daí que um século depois,
como nos relata Godofredo Ferreira, nasça a ideia da criação e cons-
tituição de umMuseu Postal e com ela o simples gesto de seleccionar
e preservar objectos em uso na Empresa.»
Alva Santos
in Códice
Do Museu Postal ao Museu dos CTT
Em Portugal, a primeira referência a um museu do correio foi sugeri-
da, em instrucções enviadas à Direcção Regional dos Correios e Pos-
tas do Reino pelo Ministro das Obras Públicas, a Guilhermino Barros,
Primeiro Director Geral dos Correios Telégrafos e Faróis ( 1877-1893), e,
dizia que « consignavam que a Direcção Geral dos Correios forcejaria
por ir criando a Biblioteca e museus postais» .
Importante é mencionar que, de acordo com o primeiro relatório de
gerência 1877-1878 ,Guilhermino de Barros afirmouque omuseu foi ini-
cialmente dotado de um primeiro núcleo de trinta peças que se pre-
«...
e aqueles que por obras valerosas
se vão da lei da morte libertando....
Cantando espalharei por toda a parte...»
Luís de Camões
,
Lusíadas
,
canto I.
R
eiteramos e seguimos o propósito do poeta, não deixando apa-
gar para o futuro,memórias, vozes e rostos. Em diversos contex-
tos,mas sobretudonodamuseologia,sabemos queos legados de sabe-
res são importantes e únicos,e que todaa caminhadade voltaaopas-
sado tem reflexos imediatos no futuro.
Algumas palavras...
Conhecer e ouvir a Dr.
a
Maria da Glória Firmino, terceira conservadora
do Museu dos CTT, é um privilégio a partilhar.
Em situações formais, nas reuniões dos Amigos do Museu, ou num
simples «olá, como está?», encontros do aqui e do agora, é sempre
um deleite ouvi-la . Mais do que fazer notícia, reportagem ou crónica
do que ouvimos e cumplicemente experienciámos, não conseguindo
registar oqueouvimosesentimos,asemoções vivenciadasepartilhadas,
aqui depomos e ofertamos algumas das suas estórias, histórias e
memórias:
« ...
comecei, com pés de lã, a ler relatórios e a ir ao passado...»
Foi em 1953 que ingressou nos serviços do Museu, a pedido do seu
chefe,Dr. AntónioMora Ramos. Embora tivesse sido admitida nos CTT
em 1944, pouco ou nada sabia doMuseu,mas não teve dúvidas que,
de todos os serviços possíveis nos CTT,seria omuseológico omais indi-
Património tangível, memórias
intangíveis
130
anos animados e imortalizados por gestos,
palavras, vozes e rostos.
Maria da Glória Pires Firmino, recolha biográfica de Margarida Gírio Mouta
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Licenciada em Filologia Românica e Docente
Exposição no Museu dos CTT, nas Picoas. Ao centro, Maria da Glória Firmino, acervo iconográfico da FPC.