Página 54 - Códice nº4, ano 2007

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Imortalidade
Tem astros de oiro o céu, que em luz ondeia,
Mais do que grãos de areia tem o mar,
e cada estrela, cada sol, no ar,
só nos parece a nós um grão de areia…
Que misteriosa Fé nos segredeia
O Infinito, na voz desse luar?
Creio! Aspiro! Morrer – p’ ra que chorar? –
é viver neste Amor que nos rodeia!
Ó minha alma, ó lágrima chorada!
ó livre, etérea essência! ó minha vida
Que a Morte evolará por Terra e Céus!
hás de ser ninho, e canto, e alvorada,
e flor, e estrêla, e espaço, difundida
na alma eterna e universal de Deus!
Bernardo de Passos
Do livro então inédito: Entardecer - Revista Portucale, Vol. III,
Julho/Agosto de 1930, N.° 16, Porto, Pág., 276.
Revista presente na biblioteca pessoal de Silva Rocha.
FranciscoAugustodaSilvaRocha
Expoente da arquitectura arte nova em Portugal
Correspondência com o escultor Teixeira Lopes
Retrato de uma amizade
Maria João Fernandes
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Historiadora e Crítica de Arte, A. I. C. A., Associação Internacional de Críticos de Arte
Silva Rocha, Entardecer, óleo, 1904.