Página 3 - Códice nº4, ano 2007

O
século passado e aquele em que vivemos ficaram definitiva-
mente marcados pela aceleração exponencial dos avanços
tecnológicos numa série de sectores. Esta situação determinou
alterações radicais nos modos de vida do cidadão comum, coma rea-
lidade a ultrapassar em muito poucos anos o que durante muito
tempo não passou de sonhos ou de ficção científica.
O sector das Tecnologias da Informação e da Comunicação,
sendo ele próprio um dos sectores onde maiores e mais disrup-
tivas evoluções se verificaram, foi também talvez o sector que mais
contribuiu para a rapidez vertiginosa desta mudança – de facto,
foi ele que permitiu a grande aventura dos últimos cerca de 50
anos, e que abriu horizontes para o mundo em que hoje vivemos,
feito de constantes mudanças, permanente interacção e procura
de relações interdisciplinares sistémicas cada vez mais abran-
gentes.
Por isso mesmo, é motivo de orgulho para a Fundação Portuguesa
das Comunicações a nobre tarefa de preservar a memória e o estu-
do das Comunicações que, ao longo dos séculos, permitiram parti-
lha, repositório e renovação de conhecimento.
E há talvez uma característica nas Comunicações que a diferencia
um pouco do que é costume noutros sectores. As alterações tec-
nológicas não determinam o fim de outras práticas de comunica-
ção, a lógica evolutiva não é de substituição mas sim de adição:
o Homem continua a usar o desenho, a palavra escrita, a voz, todos
os meios a que pode recorrer para comunicar à distância, para par-
tilhar socialmente tudo o que é partilhável.
É por isso relevante que, na nossa vivência diária, valorizemos todas
as formas de comunicação. E que entendamos que os veículos de
comunicação, sendo perecíveis e substituíveis em função da evolu-
ção tecnológica, são o que nos permite os grandes saltos evolutivos
que afectam os nossos hábitos e reformatam as nossas vidas.
A revista que agora partilhamos com o leitor reflecte isso mesmo:
do Antigo Egipto aos nossos dias, a Comunicação ao longo dos
tempos, e a forma como marcou a História.
A Fundação Portuguesa das Comunicações contribui assim, no
âmbito da sua missão, para manter viva e em confronto, a memó-
ria do sector que mais influenciou a humanidade, na sua vertente
social e de dialéctica de conhecimento.
editorial
José Luís C. Almeida Mota
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Presidente do Conselho de Administração da Fundação Portuguesa das Comunicações